CRONIQUETA DE QUINTA
De repente, deserto.
E não adianta chorar. Mas isso acontece quase sempre. Choro no deserto.
Quando mais ninguém está por perto, a gente é obrigado a aprender que o desespero não ajuda. Se nem amigos ajudam, por que o desespero o faria?
Amigos? Quem?
A ajuda acaba vindo do inesperado. E você fica sem dever nada. Porque esses fazem de coração. E coração não tem bolso nem conta nem cartão.
E, no fim, o deserto acaba sendo bom. Porque você descobre. Que não depende de incertas pessoas. Só de si. Que não deve satisfação. Só a si. Que, se cruzou o deserto com os próprios pés, você tem direito a escolher os caminhos adiante. E ninguém tem nada a ver com isso.
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