CRONIQUETA DE QUINTA
Uma porção de verde cercada de verde por todos os lados. Paisagem agrião. Textura brocólica. Imensidão verde. E ao ver de perto, uma árvore. Verde.
Tímida, balançante, de galhos moles e folhas claras. Num fremido desajeitado. Olhei pra ela, pensei: O que é ser uma árvore na Amazônia?
Talvez insignificância. Um quase nada, nada mesmo. Um imperceptível pingo diluído no oceano. Ou talvez partícula essencial. Um tudo no todo. Completude em si.
Eu vi uma Amazônia. Passiva, quieta, estática. E paradoxalmente vívida, pulsante. Abrigo de seres que se movem sobre a terra e sob o verde. Ocultos seres. Casa de todos. Até de uma árvore mole e insignificante. Que é ela própria a casa e o hóspede. Ao mesmo tempo.
Aliás, o tempo. Nesse lugar o tempo não existe. E percebo, sem querer, que não é o tempo que nos envelhece. Mas o mal ao qual nos abraçamos.
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