As águas que descem pelo rio regam as videiras desses campos. As uvas viníferas daí colhidas dão forma, cor e vigor a um vinho fino e delicado, ao mesmo tempo robusto e imponente, doador da volúpia e mais prazeres extasiantes. Aroma fresco de pétalas amarelas úmidas ao amanhecer. Sabor nobre e encorpado, enriquecido de mistérios noturnos e castidade em constante ameaça. Menina complexa de olhar juvenil pouco inocente em silhueta insinuante. Gotas rebeldes, adstringentes e adocicadas, aspereza que acaricia e confunde o paladar, gotas que provocam a alma e instigam os desejos. Desvios marotos em labirinto deliciosamente sem saída. Inebriante. Bebida que não se abre, nem se oferece. Mas que daria a vida para ser sorvida lentamente numa apaixonada transfusão mútua de prazeres.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
A um bom vinho
As águas que descem pelo rio regam as videiras desses campos. As uvas viníferas daí colhidas dão forma, cor e vigor a um vinho fino e delicado, ao mesmo tempo robusto e imponente, doador da volúpia e mais prazeres extasiantes. Aroma fresco de pétalas amarelas úmidas ao amanhecer. Sabor nobre e encorpado, enriquecido de mistérios noturnos e castidade em constante ameaça. Menina complexa de olhar juvenil pouco inocente em silhueta insinuante. Gotas rebeldes, adstringentes e adocicadas, aspereza que acaricia e confunde o paladar, gotas que provocam a alma e instigam os desejos. Desvios marotos em labirinto deliciosamente sem saída. Inebriante. Bebida que não se abre, nem se oferece. Mas que daria a vida para ser sorvida lentamente numa apaixonada transfusão mútua de prazeres.
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